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Archive for abril \26\UTC 2010

Semore adotei a doutrina
Ditada pelo rifão,
De ver-se a cara do homem
Mas não ver-se o coração,
Entre a palavra e a obra
Há enorme distinção.

Zé-pitada era um rapaz
Que em tempos idos havia
Amava muito uma moça
O pai dela não queria…
O desastre é um diabo
Que persegue a simpatia.

Vivia o rapaz sofrendo
Grande contrariedade
Chorava ao romper da aurora
Gemia ao virar da tarde
A moça era como um pássaro
Privado da liberdade.

Porque João-mole, o pai dela
era um velho perigoso,
Embora que Zé-pitada
Dizia ser revoltoso,
Adiante o leitor verá
Qual era o mais valoroso.

Marocas vivia triste
Pitada vivia em ânsia,
Ele como rapaz moço
No vigo de sua infância,
Falar depende de fôlego
Porém obrar é sustância.

Disse pitada a Marocas,
Eu preciso lhe falar
Já tenho toda certeza,
Que é necessário a raptar,
À noite espere por mim
Que havemos de contratar.

Disse Marocas a Zezinho:
Papai não é de brincadeira,
Diz Zé-pitada, ora esta!
Você pode ver-me as tripas,
Poré não verá carreira.

Diga a que hora hei de ir,
Eu dou conta do recado
Inda seu pai sendo fogo,
Por mim será apagado,
Eu juro contra minh’alma
Que seu pai corre assombrado.

Disse Marocas, meu pai
Tem tanta disposição
Que uma vez tomou um preso
Do poder de um batalhão,
Balas choviam nos ares,
O sangue ensopava o chão.

Disse ele, eu uma vez
Fui de encontro a mil guerreiros,
Entrei pela retaguarda,
Matei logo os artilheiros,
Em menos de dez minutos
O sangue encheu os barreiros.

Disse Marocas, pois bem
Eu espero e pode ir,
Porém encare a desgraça,
Se acaso meu pai nos vir,
Meu pai é de ferro e fogo,
É duro de resistir.

Marocas não confiando
Querendo experimentar,
Olhou para Zé-pitada
Fingindo querer chorar,
Disse meu pai acordou,
E nos ouviu conversar.

Valha-me Nossa Senhora!
Respondeu ele gemendo,
Que diabo eu faço agora?!…
E caiu no chão tremendo,
Oh! Minha Nossa Senhora!
A vós eu me recomendo

Nisso um gato derrubou
Uma lata na dispensa,
Ele pensou que era o velho,
Gritou, oh!, que dor imensa!.
Parece qu’stou ouvindo
Jesus lavrar-me a sentença.

A febre já me atacou,
Sinto frio horrivelmente.
Com muita dor de cabeça,
Uma enorme dor de dente,
Esta me dando a erisipela,
Já sinto o corpo dormente.

Antes eu hoje estivesse
Encerrado na cadeia,
De que morrer na desgraça,
E d’uma morte tão feia,
Veja se pode arrastar-me,
Que minha calça está cheia.

Por alma de sua mãe,
E pela sagrada paixão,
Me arraste por uma perna
E me bote no portão,
A moça quis arrastá-lo,
Não teve onde pôr a mão.

Ela tirou-lhe a botina,
Para ver se o arrastava,
Mas era uma fedentina,
Que a moça não suportava,
Aquela matéria fina
Já todo o chão alagava.

Disse a moça: quer um beijo?
Para ver se tem melhora?
Ele com cara de choro,
Respondeu-lhe, não, senhora,
Beijo não me salva a vida,
Eu só desejo ir-me embora.

Então lhe disse Marocas,
Desgraçado!… eu bem sabia,
Que um ente de teu calibre,
Não pode ter serventia.
Creio que fostes nascido
Em fundo de padaria.

Meu pai ainda não veio
Eu hoje estou sozinha,
Zé-pitada aí se ergueu,
E disse, oh minha santinha!
A moça meteu-lhe o pé,
Dizendo: vai-te murrinha!

E deu-lhe ali uma lata,
Dizendo: está aí o poço,
Você ou lava o quintal
Ou come um cachorro ensolso,
Se não eu meto-lhe os pés
Não lhe deixo inteiro um osso.

Disse ele, oh! meu amor!
O corpo todo me treme,
Minha cabecinha está,
Que só um barco sem leme,
Parece-me faltar o pulso,
O Anjo da Guarda geme.

Então a moça lhe disse:
O senhor lava o quintal
Olhe uma tabica aqui!…
Lava por bem ou por mal,
Covardia para mim,
É crime descomunal.

E lá foi nosso rapaz
Se arrastando com a lata,
A moça ali ao pé dele,
Lhe ameaçando a chibata,
Ele exclama chorando
Por amor de Deus não bata.

Vai miserável de porta
Quero já limpo isso tudo,
Um homem de sua marca
Pequeno, feio e pançudo,
Só tendo sido criado
Onde se vende miudo.

Disse o Zé quando saiu:
Eu juro por Deus agora,
Ainda uma moça sendo
Filha de Nossa Senhora,
E olhar para mim, eu digo:
Degraçada, vá embora.

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Vou narrar agora um fato
Que há cinco séculos se deu
De um grande capitalista
Do continente europeu
Fortuna como aquela
Ainda não apareceu

Pedro Cem era o mais rico
Que nasceu em Portugal
Sua fama enchia o mundo
Seu nome andava em geral
Não casou-se com rainha
Por não ter sangue real

Em prédios, dinheiro e bens
Era o mais rico que havia
Nunca deveu a ninguém
Todo mundo lhe devia
Balanço em sua fortuna
Querendo dar não podia

Em cada rua ele tinha
Cem casas para alugar
Tinha cem botes no porto
E cem navios no mar
Cem lanchas e cem barcaças
Tudo isso a navegar

Tinha cem fábricas de vinho
E cem alfaiatarias
Cem depósitos de fazenda
Cem moinhos, cem padarias
E tinha dentro do mar
Cem currais de pescaria

Em cada país do mundo
Possuía cem sobrados
Em cada banco ele tinha
Cem contos depositados
Ocupavam mensalmente
Dezesseis mil empregados

Diz a história onde li
O todo desse passado
Que Pedro Cem nunca deu
Uma esmola a um desgraçado
Não olhava para um pobre
Nem falava com criado

Uma noite ele sonhou
Que um rapaz lhe avisava
Que aquele orgulho dele
Era quem o castigava
Aquela grande fortuna
Assim como veio, voltava

Ele acordou agitado
Pelo sonho que tinha tido,
Que rapaz seria aquele
Que lhe tinha aparecido?
Depois pensou: — Ora, sonho
É ilusão do sentido!

Um dia no meio da praça
Ele uma moça encontrou
Essa vinha quase nua
Nos seus pés se ajoelhou
Dizendo: — Senhor, olhai
O estado em que estou…

Ele torceu para um lado
E disse: — Minha senhora,
Olhe a sua posição
E veja o que fez agora.
Reconheça o seu lugar,
Levante-se e vá embora!

— Oh! Senhor! Por este sol,
Que de tão alto flutua,
Lembrai-vos que tenho fome
Estou aqui quase nua
Sou obrigada a passar
Nesse estado em plena rua!

Ele repleto de orgulho
Nem deu ouvido, saiu
E a pobre ergueu-se chorando
Chegou adiante, caiu
Vinha passando uma dama
Que com seu mato a cobriu

Era a marquesa de Évora
Uma alma lapidada.
Tirando seu rico manto
Cobriu essa desgraçada
Ela conheceu que a pobre,
Foi pela fome prostrada.

Levante-se, minha filha!
E pegou-lhe pela mão,
Dizendo à criada dela:
— Vá ali comprar um pão
Que a essa pobre infeliz,
Faltou-lhe alimentação.

Entregando-lhe uma bolsa
Com 42 mil réis,
Apenas tirou dali
Um diploma e uns papéis,
Não consentindo que a moça
Se ajoelhasse a seus pés.

E com aquela quantia
Ela comprou um tear
Tinha mais duas irmãs
Foram as três trabalhar
Dali em diante mais nunca
Faltou-lhe com que passar.

Vamos agora tratar
Pedro Cem como ficou
E o nervoso que sentia
Uma noite em que sonhou
Que um homem lhe apareceu
Disse: — Olhe bem quem sou!

— Que tens feito do dinheiro,
Que me tomaste emprestado?
Meu senhor manda saber
Em que o tens empregado
E por qual razão não cumpre
As ordens que ele tem dado…

Ele perguntou no sono:
Mas que dinheiro tomei?
Até aos próprios monarcas
Dinheiro muito emprestei;
O vulto zombando dele
Disse: Que tu és eu sei.

— Que capital tinha tu
Quando chegaste ao mundo?
Chegaste nu e descalço
Como o bicho mais imundo
Hoje queres ser tão nobre
Sendo um simples vagabundo.

E metendo a mão no bolso
Tirou dele uma mochila
Dizendo: é essa a fortuna
Que tu hás de possuí-la
Farás dela profissão
Pedindo de vila em vila.

Pedro Cem zombando disse:
— Vai agoureira, te some
Tua presença me perturba,
Tua frase me consome,
De qual mundo tu vieste?
Diz-me por favor teu nome?!

— Meu nome, disse-lhe o vulto,
És indigno de saber,
Meu grande superior
Proibiu-me de dizer
Apenas faço o serviço
Que ele mandou fazer.

Despertando Pedro Cem
Daquilo contrariado;
Ter dois sonhos quase iguais
Ficou impressionado,
Resolveu contrafazer
E ficar reconcentrado.

Pensou em tirar por ano
Daquela grande riqueza
Sessenta contos de réis
E dar de esmola a pobreza
Depois, refletindo, disse:
Não se dá maior fraqueza.

Porque ainda que Deus
Querendo me castigar
Não afundará num dia
Meus cem navios no mar
As cem fazendas de gado
Custarão a se acabar

As cem fábricas de tecidos
Que tenho funcionando,
E os parreirais de uvas
Que estão todos safrejando,
Cem botes que tenho no porto
Todo dia trabalhando.

Cem armazéns de fazenda,
As cem alfaiatarias,
As cem fundições de ferro,
Cem currais de pescarias,
As cem casas alugadas,
Cem moinhos, cem padarias.

E as centenas de contos
Nos bancos depositados,
E tudo isso em poder
De homens acreditados,
Ainda Deus querendo isso
Seus planos serão errados.

Pedro Cem naquela hora
Estava impressionado
Quando aproximou-se dele
O seu primeiro criado
E disse: — Aí tem um homem
Diz vos trazer um recado.

— Mande que entre a pessoa!
(Ele ao criado ordenou)
era um marinheiro velho,
chegando ali o saudou.
— Que nova traz, meu amigo?
Pedro Cem lhe perguntou.

Disse o velho marinheiro:
— Venho vos participar,
Que dez navios dos vossos
Ontem afundaram no mar
Morreram as tripulações
Só eu pude me salvar.

— Que navios foram esses?
Perguntou-lhe Pedro Cem.
Respondeu-lhe o marinheiro:
— Foi “Tejo” e “Jerusalém”,
O “Douro” e o “Penafiel”
E os outros eu não sei bem.

Aquele ainda estava ali
Outro portador bateu
O empregado das vacas
Contou o que sucedeu
Incendiaram o mercado
E todo gado morreu

Pedro Cem nada dizia
Ficando silencioso.
Apenas disse: — Na terra
Não há homem venturoso,
Quem se julgar mais feliz,
É pior que cão leproso.

Chegou outro portador
O empregado da vinha,
Disse: — O depósito estourou
Vazou o vinho que tinha
Pedro Cem disse: Meu Deus,
Que sorte triste esta minha!

Saiu aquele entrou outro,
Um cônsul norueguês
Disse: — Nos mares do norte
Andava um pirata inglês,
Noventa navios vossos
Tomou ele de uma vez!

Meu Deus! Meu Deus! O que fiz?
Exclamava Pedro Cem,
Não há homem nesse mundo
Que possa dizer: — Vou bem,
Quando menos ele espera
A negra desgraça vem!

Dos cem navios que tinha
Alguns foram afundados
E outros pelos piratas
Nos mares foram tomados!
Acrescentou a pessoa:
Vinham todos carregados.

Ali mesmo vinha o mestre
Do navio “Flor do Mundo”
Esse fitou Pedro Cem
Com um silêncio profundo
Depois disse: Sr. Marquês,
Dez barcaças foram ao fundo.

Quatro vinham carregadas
Com bacalhau e azeite,
Duas vinham da Suécia
Com queijo, manteiga e leite,
De todas mercadorias
Não tem uma que aproveite.

Quatro dos dez que afundaram
Traziam pérolas e metal
Só da Ilha da Madeira
Vinha um milhão de coral
Topázio, rubi, brilhante,
Ouro, esmeralda e cristal.

Pedro Cem baixou a vista
Nada pôde refletir
Exclamou: Que faço eu?
Devo deixar de existir,
Mas matando-me não vejo
Isso onde pode ir!

Chegou o moço do campo
Tremendo muito assustado
E disse: Senhor Marquês,
Venho aqui horrorizado,
Deu morrinha nas ovelhas
E mal triste em todo gado

Naquele momento entrou
Um rapaz auxiliar
Esse puxando um papel
Disse: — Venho reclamar
Tudo quanto se perdeu
Na barca “Ares do Mar”

Pedro Cem perguntou: Quanto?
Tirou o moço uns papéis
Que se lia, entre brilhantes
Pulseiras, colares, anéis
Um milhão e quatrocentos
E vinte e contos de réis.

Entrou outro auxiliar
Disse: Eu quero o pagamento,
Por tudo que se perdeu
No navio “Chave do Vento”
Que vinha da América do Norte
Com grande carregamento.

Chegou um tabelião
— Dá licença, senhor Marquês?
Venho lhe participar
Que o grande banco francês
Dois alemães e três suíços
Quebraram todos de vez.

— Lá se foi minha fortuna!
(exclamava Pedro Cem)
Ontem fui milionário
Hoje não tenho um vintém
Só mesmo na campa fria
Eu hoje estaria bem!

Dando balanço nos bens
Quis até desesperar
Tudo quanto possuía
Não dava para pagar
Nem pela décima parte
Os prejuízos do mar.

Exclamava: Oh! Pedro Cem,
Que será de ti agora?!
O pouco que me restava
A justiça fez penhora!
Pedro Cem de agora em diante
Vai errar de mundo a fora!

Cumprir esta sorte dura
Que a desventura me deu
Talvez muitas vezes vendo
Aquilo que já foi meu
Em lugar que não se saiba
Quem neste mundo fui eu.

Ali no terraço mesmo
Forrando o chão se deitou
Às onze e meia da noite,
No sono conciliou,
No sono sonhando viu
O rapaz que lhe falou.

Aquele perguntou: Pedro,
Como se foi na empresa?
Já estais conhecendo agora
Quanto é grande a natureza?
Conheceste que teu orgulho
Foi quem te fez a surpresa?

Metendo a mão na algibeira
Dali um quadro tirou
Onde havia dois retratos
Que a Pedro Cem mostrou
— Conheces estes retratos?
O rapaz lhe perguntou.

Via-se naquele quadro
Uma dama bem vestida
Pedro Cem disse no sonho:
Esta é minha conhecida,
A outra uma pobre moça,
Como fome, no chão caída?

Perguntou-lhe o rapaz:
Quem é essa conhecida?
— É a marquesa de Évora,
E esta, que está caída?
— Essa é uma miserável,
Dessa classe desvalida.

O rapaz puxou outro quadro
Verde da cor da esperança
Onde se via um monarca
Suspendendo uma balança
Estava pesando nela
Caridade e confiança.

Mostrou-lhe mais 4 quadros
Que Pedro Cem conheceu,
Tinha a marquesa de Évora
Quando a bolsa a pobre deu,
Que estirou a mão dizendo:
— Toma o dinheiro que é teu.

No quadro via-se um anjo
Assim nos diz a história,
Com uma flor onde lia-se:
“Jardim da Eterna Glória”
presenteada por Deus
esta palma da vitória.

Quem planta flores, tem flores
Quem planta espinho tem espinho
Deus mostra ao espírito fraco
O que nega ao mesquinho
A virtude é um negócio
Boa ação um pergaminho

Depois que ele acordou
Triste e impressionado
Interrogava a si próprio:
— Porque sou tão desgraçado?
Achou de lado a mochila,
A que ele havia sonhado.

— Será esta a tal mochila
Que o fantasma me mostrou?
É esse o homem que em sonho
Em desespero exclamou,
Na noite que a cruel sina,
Em sonho me visitou?

De tudo restava apenas
A casa de moradia
Essa mesma embargaram
Antes de findar-se o dia,
Então disse Pedro Cem:
— Cumpriu-se a tal profecia!

Lançando mão da mochila
Saiu no mundo a vagar
Implorando a caridade,
Sem alguém nada lhe dar
Por umas 5 ou 6 vezes
Tentou se suicidar.

Ele dizia nas portas:
Uma esmola a Pedro Cem
Que já foi capitalista
Ontem teve, hoje não tem
A quem já neguei esmola
Hoje a mim nega também.

Foi ele cair com fome,
Na casa daquela moça
Quando foi a porta dele
Com fome, fria e sem força
Que ele não quis olhá-la
E a marquesa deu-lhe a bolsa.

A criada o viu cair,
Exclamou: — Minha senhora,
Anda ver um miserável,
Que caiu de fome agora!
— Onde? Perguntou a moça,
Ana lhe disse: ali fora!

A moça disse à criada
Que trouxesse leite e pão
Aproximou-se dele
Disse: O que tens, meu irmão?
Bateste em todas as portas,
Não encontraste um cristão?

Senhora! Se vós soubesse
Quem é este desgraçado,
Não abriria a porta
Nem dava esse bocado,
Respondeu ela: O conheço,
Porém esqueço o passado.

Recordo-me que a marquesa
Fez minha felicidade,
Viu-me caída, com fome,
Teve de mim piedade,
Deu-me com que comprar pão
E esta propriedade.

Pedro Cem se levantou,
Disse: Obrigado, e saiu
Andando duzentos passos
Tombou em terra e caiu
E umas frases tocantes
Em alta voz proferiu:

Vai unir-se a terra fria
O que não soube viver,
Soube ganhar a fortuna
Mas não a soube perder,
Se tenho estudado a vida
Tinha aprendido a viver.

Foi como a corrente d’água,
Que pela serra desceu
Chegou o verão secou
Ela desapareceu
Ficando só os escombros
Por onde a água correu!

Eu tive tanta fortuna,
Não socorri a ninguém,
E todos que me pediram
Eu nunca dei um vintém,
Hoje eu preciso pedir,
Não há quem me dê também!

Não desespero, pois sei
Que grande crime expio
Nasci em berço dourado
Dormi em colchão macio
Hoje morro como os brutos,
Neste chão sujo e frio…

Foram as últimas palavras
Que ele ali pronunciou
Margarida, aquela moça
Que a marquesa embrulhou
Botou-lhe a vela na mão
Ali mesmo ele expirou.

A Justiça examinando
Os bolsos de Pedro Cem
Encontrou uma mochila
E dentro dela um vintém
E um letreiro que dizia:
“Ontem teve, hoje não tem.”

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Eu ainda estava orelhudo
Com estes versos que faço
Porque nunca achei poeta
Que me fizesse embaraço
Porém uma velha agora
Quase me quebra a cachaça

A velha fez-me subir
Onde nem urubu vai
Andei numa dependura
Já está cai ou não cai
Ainda chamei tio o gato
Tratei cachorro por pai

Quando partiu foi babando
O corpo vinha tremendo
Antes de dar boa noite
De longe me foi dizendo:
“Meu amigo eu venho metê-lo
Entre um quente e dois fervendo”

Eu sei que o senhor é duro
Eu cá sou da mansidão
Porém só pode salvar-se
Se eu lhe der a certidão
Pois o boi na terra alheia
Até as vacas lhe dão

Eu andava nos meus negócios
No estado de Sergipe
Uma noite me hospedei
Em casa de um tal Felipe
Aonde havia uma velha
Da serra do Araripe

Disse-me o dono da casa:
— Eu aqui tenho um colosso
Uma poetisa velha
Que dá em poeta moço
Quem faz verso nesta terra
Está hoje comendo grosso

Eu disse: — Senhor Felipe
Garanto a vossa mercê
Que neste planeta terra
Não há mulher que me dê
O velho olhou para mim
E perguntou-me: — Por quê?

E disse: — Digo-lhe já
Moleque não me dá vaia
Parola não me intimida
Nem pabulagens me ensaia
E nas unhas dessa velha
Não há duro que não caia

Disse o velho: — Sr. Barros
A velha é prova de fogo
Discute com qualquer um
E não precisa de rogo
Eu disse: — Traga ela cá
A boca é quem faz o jogo

O velho Felipe disse:
— Venha cá dona Manhosa
Se apronte para ver
A questão mais perigosa
A velha de lá soltou
Uma risada gostosa

A velha disse: — Já vou
E com pouco mais saiu
Então chegando na sala
Torceu a cara e cuspiu
Sentou-se num banco velho
Tomou tabaco e tossiu

Eu quando vi a marmota
Alta, seca e carrancuda
Tirar-me uns olhos cinzentos
Se conservando sisuda
Eu disse com meus botões
Não há santo que me acuda

Então perguntou ali:
— Felipe para que me quer?
Chamou-me com tal vexame
Que nem aprontei-me sequer!
— Para mostrar-lhe o escritor
De peso de uma mulher

A velha cravou-me a vista
E fez um calcarejado
Olhou-me de baixo acima
Botou os quartos de um lado
Rosnou e partiu a mim
De chapéu de sol armado

Chegou e disse: — Sr. Barros
Eu desejava encontrá-lo
Porque pelos seus escritos
Não deixo de censurá-lo
Só quem não tem consciência
Deixará de criticá-lo

Eu disse: — Minha senhora
São os revezes da sorte
O gênio tem dois destinos:
É um fraco e outro forte
Uns blasfemam contra a vida
Outros aplaudem a morte

Perguntou ela: – Por que?
Fala o senhor de mulher?
Não aprendeu desculpar
As faltas que uma tiver?
Nem a sua própria mãe
Você não ira sequer

Respondi: — Minha senhora
Isto não quer dizer nada
Eu não falo sobre a honra
De uma donzela ou casada
Digo apenas, a mulher
É uma carga pesada

Ela suspirou e disse:
— Fique certo meu amigo
Que para qualquer mulher
Casamento é um perigo
Casar-se com certos homens
Não dar-se maior castigo

Eu disse a ela: — Colega
Você pode calcular
Uma mulher fica em casa
O homem vai trabalhar
Com o suor de seu rosto
Ganho para ela estragar

A velha disse: — Não há
Marido sem mau costume
Quando não é cachaceiro
É vadio e tem ciúme
Nestas condições assim
Não há mulher que se arrume

Eu disse: — Minha senhora
O homem é um inocente
Trabalha para viver
Até morrer ou ficar doente
Ela que fica em casa
Estraga danadamente

Sai logo de madrugada
Vai ao campo trabalhar
A mulher fica deitada
Sem nada a incomodar
De nove para dez horas
É que vai se levantar

A velha diz isto assim:
— É coisa que não convém
Quem trabalha o dia inteiro
Há de descansar também
A mulher não é de ferro
Nem escrava de ninguém

— A senhora fique certa
O que digo é com razão
A mulher geme sem dor
E gesta sem precisão
Casamento é para o homem
É ascarosa prisão

Disse a velha: —- Meu senhor
Não há marido que sirva
Por melhor que a mulher seja
Trabalhadora e ativa
Ele traz a vista nela
É capaz de a comer viva

Eu disse: — Minha senhora
Marido nenhum faz isso
Sacrificar-se por ela
Isso é claro e bem visto
Ela diz com seus botões
Carrego a madeira, Cristo

Disse a velha: — Vossa mercê
Não parece ser casado
Se achou mulher que coisse
Eu lamento o seu estado
Como também me parece
Que o senhor foi enjeitado

Eu aí pensei um pouco
E disse com meus botões:
Essa cabra velha tem
Miseráveis expressões
Agora me deu o título
De filho de dez tostões

Disse a velha: — Porque acha
Pesado assim a mulher
E diz que é um animal
Que nele não há mister
Só por ela lhe pedir
O que em casa não tiver?

Levanta que a mulher pede
Verdura, fruta e toucinho
Banha, massa de tomate
Alho, pimenta, cominho
Se não pedir ao marido
Há de pedir ao vizinho?

O senhor diz que a mulher
De todas formas atrasa
Porque o pires quebrou-se
O bule largou a asa
A chaleira está velha
No fogo fura-se e vaza

Não querendo despesa
Procure um jeito qualquer
Faça de uma cuia um prato
E de um espeto talher
Deixe de comprar fazenda
Viva nu com a mulher

Eu disse dentro de mim
O que serpente assanhada
Qual seria a cascavel
Quem pariu essa danada
Fiz logo sinal da cruz
Disse: votes excomungada

Lhe disse: — A senhora sabe
Que a mulher é uma cruz
E sofre mais do que Cristo
O marido que a conduz
É um cego no deserto
Vaga sem guia e sem luz

Disse ela: — E a mulher
A que ponto vem chegar?
Haverá maior sentença
Do que uma se casar?
Só ela pensa no genro
Que a mãe tem que suportar

Eu disse: — Minha senhora
Ainda não ouvir dizer
Que um genro neste mundo
Fizesse a sogra sofrer
Só esse nome de sogra
Faz ele todo tremer

A velha disse: — O senhor
É muito livre em falar
Põe defeito em quem criou
Uma filha para te dar
Você agradece tanto
Quem paga em maltrator

O senhor chora a despesa
Que com a família tem
Para que foi se casar?
Não obrigou ninguém
A mulher está na razão
De fazer queixa também

Ele vai para o trabalho
Volta a hora que quiser
Deixando com que em casa
Pode ordenar a mulher
E escolher da cozinha
A comida que quiser

Vem cansado chega em casa
Deita-se e vai descansar
Ela vai para cozinha
Fazer almoço e jantar
Depois da mesa está posta
A mulher vai o chamar

Acorda-o com muito jeito
Trata-o com muito carinho
Diz o jantar está pronto
Vamos jantar meu negrinho
Eu esperei por você
Você não janta sozinho

Me diga agora senhor
O que quer que a mulher faça
Além de criar a família
Suportar mais a desgraça
Ter um marido vadio
Que jogue e beba cachaça

Quando no fim da semana
Vai o homem fazer a feira
Gasta o dinheiro das compras
No jogo e na bebedeira
A mulher passando em casa
Com fome a semana inteira

Porque ele não traz nada
A pobre infeliz não come
Se os pais não morassem perto
Ela teria que passar fome
Pois o marido lhe trouxe
Cachaça, empurrão e nome

Eu pergunto-lhe: — A senhora
Teve em algum tempo marido?
— Tive quatro disse ela
Cada qual mais atrevido
Ainda dou graças a Deus
Eles já terem morrido

Eu disse: — Minha senhora
Eu quero lhe confessar
Infeliz de um desses quatro
Que chegasse a escapar
Os sofrimentos de todos
Qualquer pode calcular

Ela disse: — Sim, senhor
No brando o senhor se estende
Não venha com panos mornos
Aonde tem quem entende
Quem por si julgar a mim
Já vê que assim não me ofende

Eu não fui tão mal casada
Como senhor. está pensando
Tive poucas desavenças
Sempre estava tolerando
Tive muita paciência
Meu gênio sempre foi brando

Mas meu primeiro marido
Fez-me demais esta assim:
Para casar-se com outra
Tencionava me dar fim
O segundo envenenou-se
E não era o mais ruim

O terceiro desgostou
Por eu não ser muito alva
Dizia sempre por fora
Que eu o envergonhava
Sabe o que fez uma vez?
Quis me vender como escrava

O quarto era homem sério
Dizia ser bom marido
Esse só faltou fazer-me
Beber chumbo derretido
Roubou-me para jogar
Sapatos, xale e vestido

E assim mesmo o senhor
Só se refere à mulher
Contar as faltas do homem
Isso o senhor não quer
Eu tenho lembrança
Digo tudo que um tiver

Eu disse: — Vossa mercê
É uma fera no campo
Bafejo de sua boca
Onde bater tira o tampo
Seu pensamento é a cólera
E sua língua sarampo

Disse a velha: — Sim senhor
Você gosta de ferir
Agrava a quem não lhe ofende
E pode até lhe servir
E desses que quer dizer
Porém não gosta de ouvir

Então eu lhe perguntei:
— Já acabou de falar?
— Não principiei agora
Inda tenho o que falar
Eu sou velha neste mundo
Não ando por ver andar

Eu disse: — Também sou velho
Sou corrido e traquejado
Eu tenho visto as misérias
Que no mundo tem se dado
E milhares de mulheres
As manhas têm me ensinado

Uma mocinha solteira
Dana-se para namorar
Com mesuras e carinhos
Faz o homem se levar
Para iludi-lo, chora
E sorri para o matar

A mulher é o objeto
A quem eu quero mais bem
Não há quem conte as maldades
Que a mulher consigo tem
Todos acreditam nela
Ela não crê em ninguém

Então a velha me disse:
— O homem é malicioso
Entre os homens verdadeiro
Tira-se o mais mentiroso
Cheio de sofismações
Impuro pecaminoso

Quando a velha se calou
Que deu-se fim à contenda
Eu disse: Só no inferno
Se achará desta fazenda
Foi o diabo sem dúvida
Que mandou-me esta encomenda

Eu ainda não tinha achado
Quem fizesse eu me calar
Mas a demanda da velha
Fez até eu me engasgar
Botou-me em cantos tão feios
Que eu não julguei mais voltar

Quando foi no outro dia
Arrumei-me, fui embora
Com medo que a tal serpente
Tornasse a vir cá fora
Jurei não voltar mais
Aonde o tal diabo mora

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1 – (UFPE) Assinale a alternativa em que o autor NÃO utiliza prosopopéia.

a) “A luminosidade sorria no ar: exatamente isto. Era um suspiro do mundo.” (Clarice Lispector)

b) “As palavras não nascem amarradas, elas saltam, se beijam, se dissolvem…” (Drummond)

c) “Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se escreveu.” (Clarice Lispector)

d) “A poesia vai à esquina comprar jornal”. (Ferreira Gullar)

e) “Meu nome é Severino, Não tenho outro de pia”. (João Cabral de Melo Neto)

2 – (FUVEST) A catacrese, figura que se observa na frase “Montou o cavalo no burro bravo”, ocorre em:

a) Os tempos mudaram, no devagar depressa do tempo.

b) Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor e sepultura.

c) Apressadamente, todos embarcaram no trem.

d) Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal.

e) Amanheceu, a luz tem cheiro.

3 – (UFF) TEXTO

Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra.

Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

(ASSIS, Machado fr. Quincas Borba. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira/INL, 1976.)

Assinale dentre as alternativas abaixo, aquela em que o uso da vírgula marca a supressão (elipse) do verbo:

a) Ao vencido, ódio ou compaixão, ao vencedor, as batatas.

b) A paz, nesse caso, é a destruição(…)

c) Daí a alegria da vitória, os hinos, as aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas.

d) (…) mas, rigorosamente, não há morte(…)

e) Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se(…)

4 – (UFPE)

DESCOBERTA DA LITERATURA

No dia-a-dia do engenho/ toda a semana, durante/

cochichavam-me em segredo: / saiu um novo romance./

E da feira do domingo/ me traziam conspirantes/

para que os lesse e explicasse/ um romance de barbante./

Sentados na roda morta/ de um carro de boi, sem jante,/

ouviam o folheto guenzo, / o seu leitor semelhante,/

com as peripécias de espanto/ preditas pelos feirantes./

Embora as coisas contadas/ e todo o mirabolante,/

em nada ou pouco variassem/ nos crimes, no amor, nos lances,/

e soassem como sabidas/ de outros folhetos migrantes,/

a tensão era tão densa,/ subia tão alarmante,/

que o leitor que lia aquilo/ como puro alto-falante,/

e, sem querer, imantara/ todos ali, circunstantes,/

receava que confundissem/ o de perto com o distante,/

o ali com o espaço mágico,/ seu franzino com gigante,/

e que o acabasse tomando/ pelo autor imaginante/

ou tivesse que afrontar/ as brabezas do brigante./

(…)

João Cabral de Melo Neto

Sobre as figuras de linguagem usadas no texto, relacione as duas colunas abaixo:

1ª COLUNA                                                    2ª COLUNA

(1) Romance de barbante                         ( ) Pleonasmo

(2) Roda morta; folheto guenzo             ( ) Metáfora

(3) Como puro alto-falante                       ( ) Comparação

(4) Perto/distante                                       ( ) Metonímia

Ali/espaço mágico

Franzino/gigante

(5) Cochichavam-me em segredo             ( ) Antítese

A ordem correta é:

a) 1, 2, 3, 4, 5

b) 5, 2, 3, 1, 4

c) 3, 1, 4, 5, 2

d) 2, 1, 3, 4, 5

e) 2, 4, 5, 3, 1

5 – (ANHEMBI)

“A novidade veio dar à praia

na qualidade rara de sereia

metade um busto de uma deusa maia

metade um grande rabo de baleia

a novidade era o máximo

do paradoxo estendido na areia

alguns a desejar seus beijos de deusa

outros a desejar seu rabo pra ceia

oh, mundo tão desigual

tudo tão desigual

de um lado este carnaval

do outro a fome total

e a novidade que seria um sonho

milagre risonho da sereia

virava um pesadelo tão medonho

ali naquela praia, ali na areia

a novidade era a guerra

entre o feliz poeta e o esfomeado

estraçalhando uma sereia bonita

despedaçando o sonho pra cada lado”

(Gilberto Gil – A Novidade)

Gilberto Gil em seu poema usa um procedimento de construção textual que consiste em agrupar idéias de sentidos contrários ou contraditórios numa mesma unidade de significação. A figura de linguagem acima caracterizada é:

a) Metonímia.

b) Paradoxo.

c) Hipérbole.

d) Sinestesia.

e) Sinédoque.

6 – (ANHEMBI)

“A novidade veio dar à praia

na qualidade rara de sereia

metade um busto de uma deusa maia

metade um grande rabo de baleia

a novidade era o máximo

do paradoxo estendido na areia

alguns a desejar seus beijos de deusa

outros a desejar seu rabo pra ceia

oh, mundo tão desigual

tudo tão desigual

de um lado este carnaval

do outro a fome total

e a novidade que seria um sonho

milagre risonho da sereia

virava um pesadelo tão medonho

ali naquela praia, ali na areia

a novidade era a guerra

entre o feliz poeta e o esfomeado

estraçalhando uma sereia bonita

despedaçando o sonho pra cada lado”

(Gilberto Gil – A Novidade)

Assinale a alternativa que ilustre a Figura de Linguagem descrita na questão anterior:

a) “A novidade veio dar à praia/na qualidade rara de sereia”

b) “A novidade que seria um sonho/o milagre risonho da sereia/virava um pesadelo tão medonho”

c) “A novidade era a guerra/entre o feliz poeta e o esfomeado”

d) “Metade o busto de uma deusa maia/metade um grande rabo de baleia”

e) “A novidade era o máximo/do paradoxo estendido na areia”

7 – (ANHEMBI) Tenho fases

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua…

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Não encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua…)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua…

E, quando chega esse dia,

outro desapareceu…

(Lua Adversa – Cecília Meireles)

Indique a alternativa que não contenha a mesma figura de linguagem presente nesse verso do poema:

a) “O meu olhar é nítido como um girassol” (Alberto Caeiro)

b) “Meu amor me ensinou a ser simples como um largo de igreja” (Oswald de Andrade)

c) A casa dela é escura como a noite.

d) Ele é lerdo como uma lesma.

e) A tristeza é um barco imenso, perdido no oceano.

8 – (UFPB) Um dia, o Simão me chamou: – “Vem ver. Olha ali”. Era uma mulher, atarracada, descalçada, que subia o caminho do morro. (Diante do Sanatorinho havia um morro. Os doentes em bom estado podiam ir até lá em cima, pela manhã e à tarde.) Lembro-me de que, de repente, a mulher parou e acenou para o Sanatorinho. Não sei quantas janelas retribuíram. E o curioso é que, desde o primeiro momento, Simão saltou: – “É minha! Vi primeiro!”.

Uns oitenta doentes tinham visto, ao mesmo tempo. Mas o Simão era um assassino. Como ele próprio dizia, sem ódio, quase com ternura, “matei um”. E o crime pretérito intimidava os demais. Constava que trouxera, na mala, com a escova de dentes, as chinelas, um revólver. Naquela mesma tarde, foi para a cerca, esperar a volta da fulana. E conversaram na porteira. Simão voltou, desatinado. Conversara a fulana. Queria um encontro, na manhã seguinte, no alto do morro.

A outra não prometera nada. Ia ver, ia ver. Simão estava possesso: – “Dez anos!”, e repetia, quase chorando: – “Dez anos não são dez dias!”. Campos do Jordão estava cheio de casos parecidos. Nada mais cruel do que a cronicidade de certas formas de tuberculose. Eu conheci vários que haviam completado, lá na montanha, um quarto de século. E o próprio Simão falava dos dez anos como se fosse esta a idade do seu desejo.

Na manhã seguinte, foi o primeiro a acordar. (…) Havia uma tosse da madrugada e uma tosse da manhã. Eu me lembro daquele dia. Nunca se tossiu tanto. Sujeitos se torciam e retorciam asfixiados. E, súbito, a tosse parou. Todo o Sanatorinho sabia que, no alto do morro, o Simão ia ver a tal mulher do riso desdentado. E justamente ela estava subindo a ladeira. Como na véspera, deu adeus; e todas as janelas e varandas retribuíram. Uma hora depois, volta o Simão. Foi cercado, envolvido: – “Que tal?”. Tinha uma luz forte no olhar: – “Tem amanhã outra vez”. Durante todo o dia, ele quase não saiu da cama: – sonhava. Às seis, seis e pouco, um médico entra na enfermaria. Falou pra todos: – “Vocês não se metam com essa mulher que anda por aí, uma baixa. Passou, hoje de manhã, subiu a ladeira. É leprosa”. Ninguém disse nada. O próprio Simão ficou, no seu canto, uns dez minutos, quieto. Depois, levantou-se. No meio da enfermaria, como se desafiasse os outros, disse duas vezes: – “Eu não me arrependo, eu não me arrependo”.

(RODRIGUES, Nelson. A menina sem estrela. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 132-3.)

A partir da convenção seguinte:

I.Animização

II.Metáfora

III.Metonímia

IV.Silepse

Preencha os parênteses com a adequada classificação das figuras de linguagem:

( )”… e todas as janelas e varandas retribuíram.”

( )”Campos do Jordão estava cheio de casos parecidos.”

( )”… Simão ia ver a tal mulher do riso desdentado.”

A seqüência correta encontra-se em

a) I, III, II.

b) I, IV, II.

c) II, III, II.

d) III, IV, II.

e) III, IV, III.

9 – (UFPE) Nos enunciados abaixo, a palavra destacada NÃO tem sentido conotativo em:

a) A comissão técnica está dissolvida. Do goleiro ao ponta-esquerda.

b) Indispensável à boa forma, o exercício físico detona músculos e ossos, se mal praticado.

c) O melhor tenista brasileiro perde o jogo, a cabeça e o prestígio em Roland Garros.

d) Sob a mira da Justiça, os sorteios via 0900 engordam o caixa das principais emissoras.

e) Alta nos juros atropela sonhos da classe média.

10 – (UFPA) Tecendo a manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:

ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe o grito que um galo antes

e o lance a outro; e de outros galos

que com muitos outros galos se cruzem

os fios de sol de seus gritos de galo,

para que a manhã, desde uma teia tênue,

se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendendo para todos, no toldo

(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo

que, tecido, se eleva por si: luz balão.

(MELO, João Cabral de. In: Poesias Completas. Rio de Janeiro, José Olympio, 1979)

Nos versos

“E se encorpando em tela, entre todos,

se erguendo tenda, onde entrem todos,

se entretendendo para todos, no toldo…”

tem-se exemplo de

a) eufemismo

b) antítese

c) aliteração

d) silepse

e) sinestesia

Gabarito:

1-e 2-c 3-a 4-b 5-b 6-b 7-e 8-e 9-b 10-c

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Biologia – Resumão.

O que é biologia?

A palavra biologia tem sua origem em duas palavras: bio, que significa vida, e logos, que significa estudo. Assim temos biologia significando “estudo da vida”.

A biologia é uma ciência ampla, visto que é enorme a diversidade de seres vivos em nosso planeta, deste modo a biologia foi subdividida em áreas especializadas para facilitar o estudo e a obtenção de informações.

Subdivisões da Biologia

Anatomia: estuda a estrutura e a forma das células, tecidos, órgãos e sistemas.

Botânica: estuda as plantas.

Citologia: estuda as células.

Fisiologia: estuda o funcionamento das células, tecidos, órgãos e sistemas.

Histologia: estuda os tecidos.

Micologia: estuda os fungos.

Zoologia: estuda os animais.

Conceito de Vida

Definir vida não é simples, porém podemos definir o que é ser vivo por meio de uma série de propriedades que diferem a matéria viva da não-viva. Composição química: embora toda a matéria seja constituída dos mesmos tipos de átomos, a matéria viva possui muitas substâncias típicas em sua composição (ex: água, sais, proteínas, glicídios, lipídios, ácidos nucléicos)

Propriedades

Organização: com exceção dos vírus, todos os seres vivos são formados por células.

Metabolismo: propriedade que a matéria viva tem de transformar as substâncias ao seu interesse.

Homeostase: capacidade que a matéria viva tem de regular o seu meio interior e o manter estável.

Movimento: é uma propriedade inerente à matéria viva, e está presente em todos os reinos dos seres vivos.

Reação: todos os seres vivos respondem a estímulos, sejam eles de ordem física ou química.

Adaptação: os seres vivos se adaptam às mudanças no meio em que vivem, seja a curto, médio ou longo prazo.

Crescimento: os seres vivos crescem, seja através do aumento de tamanho ou do aumento do número de células.

Reprodução: capacidade de gerar descendentes.

Teorias sobre a Origem da Vida

Existem diversas teorias que tentam explicar a origem dos primeiros seres vivos. Até o século XIX considerava-se que toda forma de vida existente era obra de um Deus todo poderoso (criacionismo). No entanto, com o passar do tempo essa explicação não é mais satisfatória e surgem várias teorias alternativas baseadas na observação de fenômenos naturais e dos conhecimentos da época.

Abiogênese x Biogênese

Abiogênese: teoria que afirmava que a vida poderia surgir a partir da matéria inanimada, por geração espontânea.

Biogênese: teoria que afirmava que os seres vivos originam-se de outros seres vivos preexistentes e semelhantes, através dos processos de reprodução.

Experimentos de Needham e Spallanzani

O cientista inglês John T. Needham realizou vários experimentos em que submetia à fervura frascos contendo substâncias nutritivas. Após a fervura deixava os frascos em descanso por alguns dias. Depois ao observar ao microscópio, Needham notava a presença de microrganismos. Ele dizia que a solução nutritiva continha uma força vital responsável pelo surgimento dos microrganismos.

O pesquisador italiano Lazzaro Spallanzani repetiu os experimentos de Needham , com algumas modificações e obteve resultados diferentes.

Ele colocou substâncias nutritivas em balões de vidro, fechando-os hermeticamente e submeteu-os a fervura. Deixou descansar por alguns dias então ele abriu os frascos e observou o líquido ao microscópio. Nenhum organismo estava presente.

Spallanzani explicou que Needham não havia fervido sua solução nutritiva por tempo suficientemente longo para matar todos os microrganismos existentes nela.

Needham respondeu dizendo que, ao ferver por muito tempo, Spallanzani havia destruído a “força vital” e tornado o ar desfavorável para o aparecimento da vida.


Experimentos de Redi

Francesco Redi elaborou experiências que abalaram profundamente a teoria da geração espontânea. A experiência de Redi favoreceu o surgimento da biogênese.


O Experimento de Pasteur

Foi apenas em meados do século XIX que a teoria da abiogênese foi derrubada de uma vez por todas por Louis Pasteur, com seu célebre experimento dos frascos com pescoço de cisne. A partir de então ficou definitivamente provado que a vida apenas pode provir de outra vida, ficando sepultada a hipótese da geração espontânea


O Experimento de Oparin e Haldane

Os cientistas Oparin e Haldane sugerem que a vida pode ter se originado na terra através de um lento processo de evolução química.

Eles consideram que provavelmente a atmosfera primitiva era composta principalmente por metano, amônia, gás hidrogênio e vapor d’água. Nessa época a terra passava por um processo de descongelamento que permitiu o acúmulo de água nas depressões das rochas, formando os mares primitivos.

As descargas elétricas e as radiações eram intensas e teriam fornecido energia para a formação das primeiras moléculas orgânicas.

As moléculas orgânicas eram arrastadas pela água da chuva e passavam a se acumular nos quentes mares primitivos, formando verdadeiras “sopas nutritivas”

Nessas “sopas nutritivas” surgiram os aminoácidos e esses foram se agrupando para formar proteínas isoladas do meio (coacervados).

No momento em que essas proteínas passaram a apresentar capacidade de duplicação teriam surgido os primeiros seres vivos.



O Experimento de Miller

A hipótese da evolução química foi testada pela primeira vez pelo químico americano Stanley Miller, em 1953. Ele construiu um aparelho que simulava as condições da terra primitiva e introduziu nele os gases de amônia, hidrogênio, metano e vapor d’água. Um dispositivo elétrico de alta voltagem produzia faísca dentro do aparelho, simulando os raios das tempestades.

Depois de alguns dias funcionando, a água e o vidro do aparelho ficaram impregnados por uma substância viscosa e avermelhados. Analisando essa substância, Miller verificou que ela era rica em aminoácidos.


Hipótese Heterotrófica

Segundo essa hipótese, os primeiros organismos eram estruturalmente muito simples e viviam em um ambiente aquático, rico em substâncias nutritivas, porém, não havia oxigênio. Nessas condições, é possível supor que, tendo alimento abundante ao seu redor esses organismos alimentavam-se dos mesmos sem precisar sintetizar o seu alimento, portanto, eles seriam heterótrofos.

Hipótese Autotrófica

Alguns cientistas especulam que os primeiros seres vivos não poderiam ter sobrevivido às condições da terra primitiva e propõem que a vida tenha surgido em locais mais protegidos. Esses locais são ricos em gases quentes e sulfurosos que permitem o desenvolvimento de bactérias qumiossintetizantes. Acredita-se que evolução se deu a partir das bactérias.

Hipótese da Panspermia

A presença de compostos orgânicos em meteoritos, e a descoberta por astrônomos de aminoácidos em nuvens estrelares, têm levado alguns cientistas a acreditarem que a matéria-prima que deu origem à vida pode ter vindo do espaço. Não só compostos orgânicos, mas até seres vivos completolos.

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1 – (PUC-MG) Refere-se à economia brasileira:

I. A centralização do dinamismo industrial do Sudeste brasileiro e o gradativo crescimento dos mercados internos resultaram na formação de alguns novos pólos, com a transferência de capitais e indústrias dessa região para outras do País.

II. O Estado brasileiro exerceu grande influência na ampliação dos mercados nacionais que, paulatinamente, foram recebendo influência do poder hegemônico da Região Sudeste.

III. A principal área de investimento dos capitais proveniente do Sudeste brasileiro foi a Amazônia, sob o planejamento da SUDAM e da SUFRAMA.

a) se apenas a afirmativa I estiver correta.

b) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.

c) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.

d) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.

e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

2 -(FMU) Nos Estados Unidos, a presença de importante área petrolífera e a facilidade para receber o petróleo importado e dar saída para os derivados depois do beneficiamento são fatores que justificam a localização de áreas industriais voltadas para a petroquímica no

a) sul e oeste americano.

b) leste e centro do país.

c) sudeste e noroeste americano.

d) centro-leste e nordeste do País.

e) norte e nordeste americano.

3 – (PUC-RJ) As taxas de crescimento do setor industrial do estado do Rio de Janeiro têm sido, nos últimos meses, as mais altas da economia brasileira. Este crescimento é o resultado:

a) da reestruturação do setor siderúrgico, localizado na Região Metropolitana.

b) da expansão da indústria de construção naval, situada em torno da baia de Guanabara.

c) da instalação de novas refinarias de petróleo, na Baixada Fluminense.

d) do aumento da produção da indústria extrativa mineral, na bacia de Campos.

e) dos estímulos dados à indústria de construção civil, no município do Rio de Janeiro.

4 – (PUC-RS) Embora o Brasil possa ser considerado um país industrializado, ainda não saiu da condição de país não-desenvolvido. Isso ocorre, principalmente, devido à

a) predominância de indústrias de grande porte nas mãos de restritos grupos nacionais.

b) existência de indústrias tecnologicamente desenvolvidas que provêm de países centrais, cujos lucros são revertidos para os países de origem.

c) predominância da participação da população no setor secundário da economia, porém com baixos salários.

d) exigência, desencadeada pelo processo de globalização, de estatizar empresas de grande porte.

e) mentalidade exportadora de produtos industrializados que inibe o desenvolvimento interno.

5 – (PUC-PR) As indústrias multinacionais, que invadiram todas as partes do mundo especialmente a partir do final da 2 Grande Guerra, estão entre os principais responsáveis pela atual interligação dos pólos econômicos do mundo, conhecida como Globalização e pela chamada Revolução Técnico-Científica ou Terceira Revolução Industrial. O sistema “just-in-time” é uma das principais características do atual mercado de consumo, que exige constantes modificações nos produtos e criação de novos modelos.

O “just-in-time” trata especificamente:

a) da melhoria da mão-de-obra, especialmente no caso da indústria automobilística.

b) do controle de qualidade dos produtos desde a produção até a embalagem.

c) da eliminação de estoques, fornecendo a mercadoria no momento e quantidade certos.

d) da produção de manufaturados em grande escala em sistemas integrados de fabricação.

e) da racionalização das atividades mineradoras, particularmente no Terceiro Mundo onde costumam ser artesanais e cíclicas.

6 – (PUC-MG) Sobre a industrialização e urbanização no Brasil:

I. É pertinente afirmar que a urbanização brasileira não é decorrente da industrialização, uma vez que isso não gera emprego em número suficiente para o grande volume do êxodo rural que ela provoca.

II. Pelo fato de a indústria brasileira ser do tipo tardia, ela se caracteriza por importar tecnologia e máquinas dos países centrais e por ser poupadora de mão-de-obra.

III. A tecnologia importada pelo Brasil tem agravado o problema do desemprego, uma vez que o declínio das taxas de natalidade é menos acentuado do que nos países onde ela foi elaborada.

a) se for correta apenas a afirmativa I.

b) se forem corretas apenas as afirmativas I e II.

c) se forem corretas apenas as afirmativas I e III.

d) se forem corretas apenas as afirmativas II e III.

e) se forem corretas as afirmativas I, II e III.

7 – (FMU) Em expedição realizada a uma caverna calcárea na nascente do rio Formoso, em Mato Grosso do Sul, o biólogo José Sabino capturou um peixe cascudo inteiramente albino, até então desconhecido. O animal, pertence ao gênero Ancistrus,

“como outros peixes de cavernas é desprovido de olhos e sua orientação espacial certamente é feita por meios químicos e táteis, avalia José Sabino. Além disso, como seu corpo é inteiramente transparente, é possível observar a disposição de seus órgãos internos e a circulação de seus líquidos orgânicos”

(transcrito do jornal O Estado de São Paulo, 27/08/95)

De acordo com a teoria darwiniana da evolução, a existência desse tipo de animal é explicada pela:

a) transmissão hereditária de características adquiridas

b) seleção natural de mutação favoráveis

c) seleção artificial pelo ambiente cavernícola

d) indução de mutações pelo calcáreo da caverna

e) convergência adaptativa

8 – (PUC-RJ) Leia as afirmativas abaixo, com relação à evolução dos seres vivos.

I - O mecanismo da evolução caracteriza-se basicamente por uma mudança na freqüência de certos genes na população, causada por mutação, seleção natural, isolamento geográfico e reprodutivo ou deriva genética.

II - Quando através do isolamento geográfico, uma população se torna diferente da população original e atinge um isolamento reprodutivo, dizemos que surgiu uma nova espécie.

III - A mutação é uma alteração na seqüência de bases do DNA, podendo ser espontânea ou provocada por agentes ambientais. Somente as mutações que ocorrem nas células reprodutoras têm importância evolutiva.

IV - Segundo Darwin, através da seleção natural, as espécies serão representadas por indivíduos cada vez mais adaptados ao ambiente em que vivem.

Dessas afirmativas, admitem-se como verdadeiras as indicadas na opção:

a) Afirmativas I, II, III e IV

b) Apenas I e II

c) Apenas II e III

d) Apenas I, II e III

e) Apenas I, III e IV.

9 – (PUC-MG) São idéias relacionadas à Teoria da Origem das Espécies, segundo Darwin e Wallace, 1858:

I. O meio ambiente seleciona as variações favoráveis à sobrevivência das espécies.

II. Os indivíduos mais adaptados têm maior probabilidade de sobrevivência do que os menos adaptados.

III. Os macacos são os ancestrais da espécie humana.

IV. O estudo de fósseis, reforçado por provas e exemplos, registra as transformações sofridas pelas espécies ao longo do tempo.

São VERDADEIRAS as afirmativas:

a) I, II, III e IV.

b) I, II e IV, apenas.

c) II, III e IV, apenas.

d) I e III, apenas.

e) II e IV, apenas.

10 – (UFPA) “As toupeiras atuais têm olhos atrofiados porque suas ancestrais, vivendo sob a terra, não necessitavam de visão. A pouca utilização dos olhos teria feito com que eles atrofiassem, e isso seria transmitido de geração em geração.”

A alternativa que traz a justificativa dos fenômenos expressos acima, de acordo com o princípio evolutivo e seu autor, é:

a) uso e desuso / Lamarck

b) seleção natural / Darwin

c) transmissão dos caracteres adquiridos / Malthus

d) mutação / De Vries

e) recombinação gênica / Morgan

11 – (PUC-RJ) Alguns antibióticos que combatiam determinadas doenças tornaram-se ineficazes, com o surgimento de linhagens de bactérias resistentes. Isto se deve ao fato de que

a) as bactérias estão sendo selecionadas pela resistência que apresentam aos antibióticos.

b) os antibióticos provocam mutações gênicas, que conferem resistência às bactérias.

c) as bactérias, após se “acostumarem” com doses crescentes de antibióticos, passam a resistência adquirida a seus descendentes.

d) a pequena variabilidade genética verificada na linhagem de certas bactérias facilita a adaptação das mesmas a vários tipos de antibióticos.

e) os antibióticos fazem surgir a resistência nas bactérias.

12 – (PUC-RJ) Em sua estadia no Arquipélago de Galápagos, Darwin estudou um grupo de espécies de pássaros, muito semelhantes entre si, mas com o bico diferente, adaptado a distintos regimes alimentares. Estas espécies diferentes originaram-se de um ancestral comum. Este é um mecanismo evolutivo denominado:

a) co-evolução.

b) fluxo gênico.

c) convergência adaptativa.

d) irradiação adaptativa.

e) hibridação.

13 – (PUC-RJ) A evolução das espécies é um processo que não ocorreu apenas no passado, mas promove, continuamente, uma maior adaptação dos seres vivos ao meio ambiente. Pode ser atribuída a:

a) mudanças fenotípicas nos indivíduos, sem que estas passem para seus genótipos

b) mudanças numéricas e funcionais que ocorrem nos cromossomos

c) adaptações nos genótipos provocadas por mudanças no ambiente que os tornam mais adaptados

d) mudanças nos genótipos sem que ocorram alterações nos fenótipos

e) mutações gênicas que ocorrem ao acaso e posterior seleção das mutações mais favoráveis

14 – (UERJ) Alterações climáticas, como as provocadas pelo “El Niño”, mudam as condições de vida, antecipando floradas, estimulando a reprodução de diferentes espécies.

Segundo a Teoria Sintética, o conceito que explica a interferência dessas alterações no processo evolutivo é:

a) mutação

b) uso e desuso

c) seleção natural

d) caráter adquirido

15 – (UFRRJ) A seguir estão representados sete organismos.

In: RUPPERT, E. E. & BARNES, R. D. Zoologia dos Invertebrados. São Paulo Roca Ltda, 1996. p. 202.

Tais organismos, que vivem entre os grãos de areia das praias, apresentam uma morfologia semelhante, determinada pelo seu ambiente. Esse fato pode ser denominado

a) irradiação adaptativa.

b) convergência adaptativa.

c) fluxo gênico.

d) especiação.

e) isolamento reprodutivo.

Gabarito:

1-b 2-a 3-d 4-b 5-c 6-e 7-b 8-a 9-b 10-a 11-a 12-d 13-e 14-c 15-b

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1 – (UFMG) Esta figura representa algumas estruturas corporais do homem numeradas de 1 a 3.

Com relação a essas estruturas e aos tecidos nelas encontrados é INCORRETO afirmar-se que:

a) 1 possui células especializadas em condução de impulsos elétricos.

b) 2 depende funcionalmente de 1 e atua sobre 3.

c) 3 armazena um íon cuja deficiência provoca distúrbios em 1 e 2.

d) 3 é armazenado e incapaz de regeneração.

2 – (PUC-PR) Considere as seguintes afirmações:

I - Vacinas induzem a formação de anticorpos específicos.

II - Enzimas são proteínas que facilitam as reações químicas e são elaboradas pelos ribossomos.

III - Plasma é a parte líquida do sangue sem o fibrinogênio.

É ou são verdadeiras:

a) Todas.

b) Apenas I e III.

c) Apenas II e III.

d) Apenas I e II.

e) Apenas II.

3 – (PUC-PR) A figura abaixo representa esquematicamente a respiração aeróbica no interior da célula. Os números podem ser substituídos pelas substâncias:

a) 1 – Água, 2 – ATP, 3 – Gás Carbônico, 4 – Oxigênio.

b) 1 – Monóxido de Carbono, 2 – ADP, 3 – Gás Carbônico, 4 – Hidrato de Carbono.

c) 1- Oxigênio, 2 – ATP, 3 – Gás Carbônico, 4 – Água.

d) 1 – Glicose, 2 – ADP, 3 – Gás Carbônico, 4 – Mo-nóxido de Carbono.

e) 1 – Oxigênio, 2 – DNA, 3 – Piruvato, 4 – RNA.

4 – (PUC-MG) A fase do processo da respiração celular de células eucariotas que NÃO ocorre no interior da mitocôndria é:

a) formação de Acetil CoA.

b) redução de ácido oxaloacético até formação de ácido cítrico.

c) oxidação do ácido cítrico até a formação de ácido oxalacético.

d) formação de água e energia na cadeia respiratória.

e) formação do ácido pirúvico a partir do processo de glicólise.

5 – (PUC-MG) Uma minhoca e uma rã têm em comum, EXCETO:

a) Simetria bilateral

b) Celoma.

c) Respiração cutânea.

d) Hermafroditismo.

e) Circulação fechada.

6 – (UFPE) Atmosfera primitiva chuvas e descargas elétricas formação do primeiro aminoácido peoteinóides coacervados primeiro ser vivo.

Esta teoria foi proposta por:

a) Linnaeus

b) Aristóteles

c) Lamarck

d) Helmont

e) Oparim

7 – (UFMG) Um professor apresentou à classe o seguinte problema: – Qual deverá ser a variação do peso de um ovo de galinha, durante o processo de desenvolvimento embrionário do pintinho, até um dia antes de seu nascimento?

Os alunos apresentaram diferentes respostas expressas pelas curvas abaixo. Assinale a alternativa que mais se aproxima da resposta correta.

a)

b)

c)

d)

8 – (UFPA) Sabemos que as células dos seres procariontes apresentam uma organização muito simples e que, entre eles, podemos encontrar seres bastante primitivos. Em relação à nutrição e respiração, os procariontes ou moneras caracterizam-se como seres

a) autótrofos, com respiração aeróbica.

b) heterótrofos, com respiração aeróbica ou fermentadores.

c) heterótrofos, com respiração aeróbica ou anaeróbica.

d) autótrofos ou heterótrofos, com respiração anaeróbica ou fermentadores.

e) autótrofos ou heterótrofos, com respiração aeróbica, anaeróbica ou fermentadores.

9 – (PUC-MG) Em um ciclo haplodiplobionte de um vegetal, os esporos são sempre haplóides. Observe o esquema abaixo, que representa esse ciclo:

A meiose ocorre em:

a) A

b) B

c) C

d) D

e) E

10 – (PUC-MG) Considere as seguintes etapas da respiração celular:

I. Cadeia respiratória;

II. Formação de Acetil-CoA;

III.Ciclo de Krebs;

IV. Glicólise.

Assinale a alternativa que contém a seqüência correta dos eventos da respiração celular:

a) I, II , III e IV

b) II, IV, III e I

c) III, IV, I e II

d) IV, II, III e I

e) II, III, I e IV

Gabarito:

1-d 2-d 3-c 4-e 5-d 6-e 7-b 8-e 9-d 10-d

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