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Posts Tagged ‘Fábulas’

Uma cigarra feliz
Passou o verão se divertindo,
E no primeiro dia de inverno,
Viu que estava faminta,
De carne e pão
Nenhum pedaço tinha!
Então como pedinte foi
À sua vizinha formiga
Para pedir emprestado
Um pouco de trigo para comer
Até a estação acabar.
“Eu lhe pagarei”, disse ela
“Com palavra de animal
Duas vezes a mais
Antes da colheita acabar.”
A formiga gosta de ajudar
(E possa a auxiliar)
Dando um pouco para emprestar
“Como passou o verão?”
Perguntou sem hesitação
À pedinte de pão
“De dia e noite cheguei
Cantando o verão passei.”
“Você cantava?
Agora terás que dançar.”

Fonte: https://pt.wikisource.org/wiki/A_Cigarra_e_a_Formiga (acessado 05/10/2015)

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Conheci uma baratinha que abominava a luz tanto quanto adorava escuridão.

Como todas as baratas, obrigada a viver entoupeirada, no fundo do baú, só arriscava-se ao ar exterior à noite, quando a vela se extinguia.

Roía os bolsos dos meninos, que cheiravam a queijo e a bolo; roía um cristo de massa, cujas mãos decepadas ficavam como duas estrelas brancas nos braços da cruz; roía o sapatinho da Maricota, se untavam de óleo o couro de lustro; e (atrevida!), roeu o dedinho grande da pequena! — por modos que ao amanhecer, o pezinho mimoso, com uma pintinha em carne viva, doía, doía, e eu sentia aquilo no meu coração como se eu fosse a Senhora das Dores traspassada pelas sete farpas. Roer aquele pezinho que eu desejara cobrir de beijos, uma barata! o inseto mais re­pugnante que o sol cobre!

Outra vez, o nojento ortóptero pôs-se a fazer tanta bulha atrás da mala, que a menina acordou.

No dia seguinte, muito caladinha, Maricota arrastou o móvel até ao quintal, puxou uma cadeira, e, chamando as galinhas, ia desarrumando a roupa, à procura da baratinha audaciosa.

Era com grande júbilo que eu via as baratas desaparecerem no bico voraz daquelas boas aves! Estava vingado. Mas a baratinha teria sido en­golida?

Uma noite, eu lia o Werther, e vejo uma traça sair do lombo do livro. Quis esmagá-la com o dedo. A traça respondeu que não havia roído o pezinho de ninguém…

— Ah, você sabe disso? — fiz eu empalidecendo.

— E até conheço a barata — respondeu a traça, pondo-se em pé. — Agora está descascando. Se me garante a vida entre seus livros, dou-lhe conta dela.

— Você tem a minha biblioteca inteira! — disse eu todo generosidade.

Entretanto, foram inúteis, não só os planos da traça, como os meus.

A menina por si mesma foi quem venceu a guerra. Executou a baratinha do modo mais pomposo deste mundo. Pilhou-a, numa noite em que o inseto voejava adivinhando chuva e pousava-lhe na face as asas catingosas. A vela! a vela foi quem matou a barata, foi quem a denunciou aos grandes olhos negros da santinha. Olhe como a luz persegue aos criminosos!

Maricota, fazendo segurar o inseto pelo maninho, muito calma e ri­sonha, corada como o pejo, tomou um coto de vela, chegou-o ao lume, e pingando cera quente na entreasa do bicho, que estremeceu todo, pre­gou-Ihe em cima o coto aceso.

Foi o espetáculo mais deliciosamente bárbaro que já presenciei!

A baratinha deitou a esfuziar com o farol aceso sobre o lombo, cor­rendo como doida, por debaixo das cadeiras, pelo meio da casa, pelos corredores, e a meninada atrás, numa grita sublime, até ao momento em que o fogo devorou-a toda, espalhando um cheiro ruim pela casa.

Ai que Nero que eu era ante aquela viva tocha ardente!

Sim, queridas meninas, incendiai pandegamente, a coto de vela, todas essas nojentas baratinhas que, enquanto vós dormis o belo sonho da puberdade, tentam roer o esperançoso pezinho com que ides trilhar mais tarde o duro caminho da vida!

fonte: https://pt.wikisource.org/wiki/A_barata_e_a_vela (acessado 05/10/2015)

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Dois galos estavam disputando em feroz luta, o direito de comandar o galinheiro. Ao fim da luta o galo derrotado afastou-se e foi se recolher num canto sossegado. O vencedor, voou até o alto de um muro, bateu as asas e cantou com toda sua força. Uma águia que pairava ali perto lançou-se sobre ele e com um bote certeiro levou-o preso em suas poderosas garras. O galo derrotado saiu de seu canto e daí em diante reinou absoluto e livre de concorrência.

Moral da história:
O orgulho e a arrogância é o caminho mais curto para a ruína e o infortúnio.

Fonte: http://pt.wikisource.org/wiki/O_Galo_de_Briga_e_a_%C3%81guia

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